Os motivos pelos quais milhares de pés acabam calçando os mesmos sapatos são difíceis de compreender. A moda está no cruzamento de duas coisas importantes de nossa sociedade: sexualidade e dinheiro. As primeiras vítimas da moda são os estilistas e as pessoas que dirigem esses negócios. O resto dos mortais não são vítimas, mas estão obcecados.
O sociólogo francês Guillaume Erner em seu livro: Vítimas da Moda, defende o fato de que são os consumidores, e não um comitê indeterminado de gurus, quem define se um produto funciona ou não. A existência de um "comitê de moda" que decide as tendências da temporada seguinte faz muita gente fantasiar sobre uma suposta conspiração permanente. No campo da moda, como em uma democracia, todos votam, mas na realidade nem todos os votos têm o mesmo valor. É por isso que os estilistas têm uma influência evidente. No entanto, em última instância, é a opinião da rua que prevalece. Um dos capítulos do livro de Erner, leva o nome de "O universo onde tudo é possível". Ele afirma que não há uma autoridade clara sobre a moda, esta permite tudo e não se deixa dominar: um dia nos faz adorar uma bolsa em forma de porta de Cadillac (Dior) ou uma estampa salpicada (Vuitton).
As tendências não têm preconceitos; "nunca" é uma palavra que a moda ignora. A tendência é ser magro, e surgem referências à modelo Gisele Bundchen. Mas ao mesmo tempo voltam as curvas e os quadris largos com imagens como Preta Gil. Mas há uniformidade nesse mundo, todos nos vestimos de forma parecida. Por um lado é triste, porque é um terreno cada vez mais homogêneo. Mas não é um fenômeno que se limita à moda; a parte positiva é que vivemos em um mundo democrático onde a situação das pessoas é cada vez mais próxima. Mas só há uma pessoa com força suficiente para nos obrigar a seguir a moda: nós mesmos. Afinal, a moda seria uma mentira banal não fosse isso porque antes de tudo, é uma mentira na qual gostamos de acreditar.
segunda-feira, 22 de março de 2010
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